poderia eu
ser diminuta e límpida,
uma menina.
mas cresci
vi, senti,
carreguei mil universos
dentro de minha claustrofóbica densidade.
estou toda suja de mundo
com as pernas cansadas,
mas de olhar erguido
esvoaçando trovões
sou nômade de braço em braço
amargurada com tanta mentira
e opressão
sou mulher
e ah…
como é solitário ser mulher
mais fácil seria
me deixar menina
e adormecer princesa
com um semblante de fragilidade
chamando cuidados mil.
mas desde o momento em que ergui
minha voz e meu peito
não posso mais
voltar.
ah, como é solitário..
ser.
17/01/2012






