Sou mulher

por Fernanda Paz

poderia eu
ser diminuta e límpida,
uma menina.
mas cresci
vi, senti,
carreguei mil universos
dentro de minha claustrofóbica densidade.
estou toda suja de mundo
com as pernas cansadas,
mas de olhar erguido
esvoaçando trovões
sou nômade de braço em braço
amargurada com tanta mentira
e opressão
sou mulher
e ah…
como é solitário ser mulher
mais fácil seria
me deixar menina
e adormecer princesa
com um semblante de fragilidade
chamando cuidados mil.
mas desde o momento em que ergui
minha voz e meu peito
não posso mais
voltar.
ah, como é solitário..
ser.

Um Comentário para “Sou mulher”

  1. Uma das minhas maiores dificuldades é a de sempre me considerar um menino. Como menino eu tenho uma desculpa pelos erros, tenho uma palavra que funciona como carta de alforria para meu medo correr solto. Ser homem é responsabilidade demais. Dessa palavra eu fujo. E enquanto eu fugir, serei sempre um menino. Mesmo que desse tamanho.

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