Achei essa poesia que escrevi há meses atrás, e que não deixa de fazer sentido, infelizmente.
—
Apareça novamente
e diga
que eu sou mesmo uma catástrofe
que irrito a todos com minhas ironias maldosas
com minhas falas pretensiosas
sempre cheias de razão.
que faço de tudo para me defender,
às lágrimas
e gritos
ecoando entre carros e avenidas
entre braços e abismos.
que sou da família
dos elefantes alados
também parente das formigas de trezentas toneladas
que tenho tanto medo
que atiro apavorada
no vento, ao ouvir qualquer ruído
- não vi que era só um passarinho
tento sempre me justificar
embora, em silêncio,
eu peça desculpas
repetidas vezes.
lembro-me da sua face,
a face que há tempos não vejo mais
olhando-me perplexo, sem dizer nada,
desertor,
pasmo com meu jeito,
pasmo com as pontes que iam caindo,
desabando,
sem comunicação alguma com nada.
eu do outro lado
sozinha
sobre um rio de destroços.
hoje vejo faces que me olham
e me lembram
aquela sua.
O mesmo suspiro desertor.
Queria apenas dizer
que sinto-me muito triste
olhando essas faces,
lembrando de ti,
e tendo consciência de mim
… de que sou mesmo uma catástrofe.







