Solitária em minha independência
triste em minha solidão
como se não precisasse de ninguém
sigo sendo uma montanha inacessível
com um córrego
de água potável
cercado por enormes muros de pedra.
À mim ninguém chega
de minha fonte ninguém bebe
em minha floresta
ninguém senta para olhar estrelas
e os animais andam fugidos
e as árvores emurchecidas.
Se alguém tenta entrar para ver
o que é que tem ali
eu deixo
brinco, sorrio, amo
sou feliz por alguns instantes
mas depois começo a chover
involuntariamente,
enormes tempestades
ventos incríveis
que levam todos embora
pelo ar.
Tento esquecer
e fazer tudo acerca do que programei
minha face diz
que não preciso de mais nada
mas eu estava lá trovejando
e rezando em prantos
para que meu visitante
resistisse
que se agarrasse muito forte numa árvore
e quisesse muito permanecer ali.
Mas meus visitantes
nunca suportam os meus fenômenos
e seguem plainando
para outras florestas mais amigáveis
e ensolaradas.
Queria derrubar todos os meus muros
tirar toda a mata morta
que cobre a visão do sol
deixar todos entrarem
e me darem as mãos
(mesmo que alguns entrem apenas
para me arrancar flores e sujar meu rio)
mas meu medo me recolhe
e me protege
daquilo que não deveria haver
proteção.







